segunda-feira, 8 de junho de 2009

Ossos do Ofício


Franco da Rocha, 06 de maio de 2009. O sol nasce novamente
e tenta mostrar-se forte e único, mas o vento frio com sua sutileza
ganha forças e destaca-se naquela típica manhã de sábado. O carro
anda devagar naquela estrada de terra, a poeira dificulta a visão.
A única coisa que se pode enxergar é uma placa escrito:
"Área de segurança. Pare e identifique-se"
Eu poderia estar lá somente para cumprir a minha obrigação:
fazer uma reportagem traçando o perfil de algum interno.
Sim, cumpri o que me era devido. Mas estar ali do outro lado do
muro, me fez enxergar algumas verdades que a sociedade não vê... que
o governo não enxerga, ou simplesmente, não faz questão de enxergar como
de fato é...eles devem estar com miopia.
Manicômio Judiciário. Quando ouvi esse nome me assustou, fiquei apreensiva,
com medo... tive pré-conceitos, pensei que só teriam malucos, psicopatas,
dementes. De certa forma estava errada, e o único sentimento que tomou
conta de mim naquele lugar foi à tristeza.
Mas ali dentro havia pessoas, havia histórias, sonhos, revoltas, remorsos e mágoas.
"O meu maior sonho é ver o metrô. Estou aqui há 34 anos e não sei o que
acontece no mundo... deve ser incrível andar de metro”,me disse um senhor.
Pode parecer bizarro ou inacreditável escutar uma coisa dessas, mas não foi
bizarro. Foi triste.
"Não tem como ser feliz se você não tiver a sua liberdade. Eu me sinto bem
só quando ando de caminhão". É estranho você ver a emoção e alegria
quando uma pessoa diz que "anda de caminhão"... mas quando você se coloca
no lugar dele passa a entender perfeitamente o valor que isso tem.
Foi triste ver pessoas amarradas na cama porque sofrem de esquizofrênica
ou transtorno borderline. É triste saber que o Estado não dá devida assistência
para os internos e nem para os próprios funcionários. É triste ver a que ponto o
ser humano chega. É triste saber que uma pessoa matou a família inteira, alegando
que eram monstros. É triste saber que a sociedade não sabe dessa realidade.
“Vou sentir vontade de usar crak o resto da minha vida, mas tenho que lembrar do meu sofrimento. Ele tem que ser maior do que meu desejo”, é triste se sentir
impotente diante dessa realidade.
Não senti pena, não senti medo, senti tristeza por saber que
há situações que
por mais que eu queira não consigo mudar. Mas enfim, são ossos do ofício...
e eu não posso tomar partido de nada, não posso fazer juízo de valores, não
posso ficar revoltada e frustrada com essa situação. Não posso fazer nada.
"Nós poderíamos ser muito melhores se não quiséssemos ser tão bons”.
.
Frases da semana para [minha] reflexão:
Ps1. (...)um amor arrematador. [by Juva] -_-'
Ps2. Não existe amizade depois do primeiro beijo [by Caio] ¬¬'
Ps3. Preciso de um tempo pra mim.

3 comentários:

Lih Paschoal disse...

Caraaacs....

O trabalho tá mara!

Não acho triste... nem revoltante... na verdade, não sei o que acho sobre isso... Talvez a vida nessa cidade cinzenta tenha me tornado apática a isso... Oo´
Acho que perdi uns sentimentos meio humanos por aí!

Lih Paschoal disse...

Ahhh... referência do seu blog lá na Serotonina!

Andressa Freire disse...

\0/

uHhUHLL!


referência*