sábado, 31 de julho de 2010

Trechos (Alice no País das Maravilhas)


"Aventuras de Alice no País das Maravilhas"

“(...) havia acontecido tanta coisa esquisita ultimamente que tinha começado a pensar que raríssimas coisas eram realmente impossíveis.”

“(...) ela nunca esquecera que, se você bebe muito de uma garrafa em que está escrito ‘veneno’, é quase certo que vai se sentir mal, mais cedo ou mais tarde.”

“’Vamos, não adianta nada chorar assim!’ disse Alice para si mesma, num tom um tanto áspero, ‘eu aconselho a parar já!’ Em geral dava conselhos muito bons para si mesma (embora raramente os seguisse)”

“(...) tinha se acostumado tanto a esperar só coisas esquisitas acontecerem que lhe parecia muito sem graça e maçante que a vida seguisse da maneira habitual.”

“Ai, ai! Como tudo está esquisito hoje! E ontem as coisas aconteciam exatamente como de costume. Será que fui trocada durante a noite? Deixe-me pensar: eu era a mesa quando me levantei essa manhã? Tenho uma ligeira lembrança de que me senti um bocadinho diferente. Mas, se não sou a mesma, a próxima pergunta é: ‘Afinal de contas quem sou eu?’ Ah, este é o grande enigma!”

“Então quem sou eu? Primeiro me digam; aí, se eu gostar de ser essa pessoa, eu subo; senão fico aqui embaixo até ser outra pessoa”

“Se cada um cuidasse da própria vida, o mundo giraria bem mais depressa.”

“Tudo tem uma moral, é questão de saber encontrá-la.”

“E a moral disso é ‘Seja o que você parece ser’...”

“Comece pelo começo e prossiga até chegar ao fim; então pare.”

“Ficou ali sentada, os olhos fechados, e quase acreditou estar no País das Maravilhas, embora soubesse que bastaria abri-lo e tudo se transformaria em insípida realidade...”

(Lewis Carroll)

sábado, 24 de julho de 2010

O príncipe



Hoje sem mais nem menos eu lembrei da sua bermuda azul, da sua blusa regata laranja e de como eu não cansava em dizer como você tinha um péssimo gosto. Lembrei de como tudo começou tão de repente desde o beijo roubado até o pedido de namoro no meio de uma festa horrorosa que tocava funk... e a minha cara de espanto foi bem na hora em que eles falavam “crééú” , e logo depois, do refrão, da cara de espanto, das menininhas rebolando eu disse: “mas assim, tão de repente?”.

Lembrei de como você me abraçava, olhava sempre nos meus olhos, me beijava com uma leveza que fazia com que pensasse que todos os problemas do universo havia acabado, inclusive os meus, lembrei de quando você sorria e dizia: “é na sua mania de rir de tudo que eu encontro forças”.

Lembrei também de quando eu era menininha e chegava da escola tirava o uniforme, jogava tudo em cima da minha cama, sentava no sofá e me sentia igual ao videocassete velho e empoeirado que ficava na cômoda, afinal, ninguém sabia porque raios não jogavam aquilo fora, mas ele ficava ali sem serventia, então, eu pensava: um dia o meu príncipe vai aparecer e vai me buscar, ele vai me levar pra bem longe dessa casa e dessa falta de vida, desse videocassete velho, das pessoas descontroladas, dessa falta de cor, do meu medo do escuro, de barata, de altura, de brigas... e de mim.

Depois de muito muito tempo, o videocassete nem existia mais, aliás, eu nem sei que fim o coitado teve,você apareceu. Você era meu príncipe.

Do seu jeito leve, sem cavalo branco, mas encantado me ensinou tantas coisas, mas nada de gostar de restaurantes caros, cinemas europeus, MPB... você me ensinou a lição mais importante da minha vida: você me ensinou a me amar mesmo me odiando.

E aí, da mesma forma mágica e inesperada que você apareceu você desapareceu.. e não, você não se deu nem ao trabalho de me dar um fora... talvez você estivesse esperando o momento exato, o momento mágico com a trilha sonora do creu e meninas com sorrisos vazios rebolando e suplicando por um pingo de atenção. Mas o creu não tocou. E eu sofri... sofri pra caralho, como diz quem sofre pra caralho.

Mais do que conversas cabeças, músicas bonitas, frases marcantes, você me ensinou o que realmente importa na vida: que a vida é uma imensa, grandiosa e enorme merda. E que não existe porra de príncipe nenhum.

Mas enfim, agora já passou. E quer saber a verdade? Eu acho que você foi o meu príncipe encantado que eu esperei a vida toda. Você apareceu e levou essa menina que tinha medo da vida e achava que havia salvação pra tudo. Aí sobrou essa pessoa que se conhece muito bem, que lê jornais todos os dias, que sabe conversar com todas as pessoas, que sorri quando convém sorrir, mas que às vezes esquece e deixa a menina voltar, aí no lugar do sorriso vem uma enorme gargalhada, mas a menina vai embora rapidinho assim que algum maluco que se diz príncipe aparece. Sobrou essa moça que tem poucos mas verdadeiros amigos, que não espera mais o cavalo branco, mas fica feliz quando escuta o telefone tocar... Enfim, essa mulher que está pronta pra amar de verdade, mas amar um homem ao invés de um príncipe.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

E eu conservo esse sorriso amarelo no rosto, mas quase convincente de que eu estou bem, muito bem obrigada. Não sei se foi um semana, quarenta e sete dias (você gosta de números ímpares e pouco óbvios), um ano... mas sei que a minha dor de cabeça dura há oito dias, ininterruptos. Parece que eu sinto cada pulsar do meu coração me dizendo... ou melhor berrando: que sente muita falta sim, e ponto.

Também sei que sinto falta de ligar o celular e ver uma mensagem sua dizendo: “tenha um lindo dia. E vc sabe qe vai fik tudo bem.!”. E eu respondia que odiava quando você escreve desse jeito ‘adolescente bobo’, mas que não tinha como não dar certo sabendo que você estava ali comigo e torcendo comigo para que tudo ficasse bem.

Sinto falta de ter aquela meta de conhecer uma pessoa nova por dia, só pra te contar depois como foi. Agora continuo sendo aquela “mocinha com rostinho de simpática”, mas que na verdade não faz questão nenhuma de conversar com quem não quer, uma antipática alternativa.

Sinto falta de não poder contar pra você que eu estou conseguindo tudo o que eu sempre desejei... tudo, menos você. Sinto falta de ter um cafuné em uma tarde chata em plena quarta-feira enquanto assistíamos qualquer bobagem na televisão. Sinto falta das conversas estupidamente idiotas e planos de ir pra Marte em 2014. Sinto falta da sua voz... de você cantando.

E por fim, sinto vontade de parar o relógio para que nunca dê 23h, era o horário que a gente se procurava só pra ter certeza que dá pra terminar o dia bem e ainda por cima com algum conforto. Quando chega esse horário eu já nem sei mais o que faço ou o que penso. É muito ruim ter que fugir de algo, quando aquele algo te fez bem... e principalmente quando era tudo o que você tinha. Mas e aih qe hrs saum.!?