sábado, 24 de julho de 2010

O príncipe



Hoje sem mais nem menos eu lembrei da sua bermuda azul, da sua blusa regata laranja e de como eu não cansava em dizer como você tinha um péssimo gosto. Lembrei de como tudo começou tão de repente desde o beijo roubado até o pedido de namoro no meio de uma festa horrorosa que tocava funk... e a minha cara de espanto foi bem na hora em que eles falavam “crééú” , e logo depois, do refrão, da cara de espanto, das menininhas rebolando eu disse: “mas assim, tão de repente?”.

Lembrei de como você me abraçava, olhava sempre nos meus olhos, me beijava com uma leveza que fazia com que pensasse que todos os problemas do universo havia acabado, inclusive os meus, lembrei de quando você sorria e dizia: “é na sua mania de rir de tudo que eu encontro forças”.

Lembrei também de quando eu era menininha e chegava da escola tirava o uniforme, jogava tudo em cima da minha cama, sentava no sofá e me sentia igual ao videocassete velho e empoeirado que ficava na cômoda, afinal, ninguém sabia porque raios não jogavam aquilo fora, mas ele ficava ali sem serventia, então, eu pensava: um dia o meu príncipe vai aparecer e vai me buscar, ele vai me levar pra bem longe dessa casa e dessa falta de vida, desse videocassete velho, das pessoas descontroladas, dessa falta de cor, do meu medo do escuro, de barata, de altura, de brigas... e de mim.

Depois de muito muito tempo, o videocassete nem existia mais, aliás, eu nem sei que fim o coitado teve,você apareceu. Você era meu príncipe.

Do seu jeito leve, sem cavalo branco, mas encantado me ensinou tantas coisas, mas nada de gostar de restaurantes caros, cinemas europeus, MPB... você me ensinou a lição mais importante da minha vida: você me ensinou a me amar mesmo me odiando.

E aí, da mesma forma mágica e inesperada que você apareceu você desapareceu.. e não, você não se deu nem ao trabalho de me dar um fora... talvez você estivesse esperando o momento exato, o momento mágico com a trilha sonora do creu e meninas com sorrisos vazios rebolando e suplicando por um pingo de atenção. Mas o creu não tocou. E eu sofri... sofri pra caralho, como diz quem sofre pra caralho.

Mais do que conversas cabeças, músicas bonitas, frases marcantes, você me ensinou o que realmente importa na vida: que a vida é uma imensa, grandiosa e enorme merda. E que não existe porra de príncipe nenhum.

Mas enfim, agora já passou. E quer saber a verdade? Eu acho que você foi o meu príncipe encantado que eu esperei a vida toda. Você apareceu e levou essa menina que tinha medo da vida e achava que havia salvação pra tudo. Aí sobrou essa pessoa que se conhece muito bem, que lê jornais todos os dias, que sabe conversar com todas as pessoas, que sorri quando convém sorrir, mas que às vezes esquece e deixa a menina voltar, aí no lugar do sorriso vem uma enorme gargalhada, mas a menina vai embora rapidinho assim que algum maluco que se diz príncipe aparece. Sobrou essa moça que tem poucos mas verdadeiros amigos, que não espera mais o cavalo branco, mas fica feliz quando escuta o telefone tocar... Enfim, essa mulher que está pronta pra amar de verdade, mas amar um homem ao invés de um príncipe.

2 comentários:

Juna Yuri disse...

na verdade principes não existem,
existe aquele que te faz bem em todos os momentos,
que sabe te escutar e te abraçar no momento certo.

sempre esperamos alguém que entenda nossos medos e nos ajude a seguir em frente.

nhaaaaaaaaaaaa
beiju
amoooo
saudadesss

Lih Paschoal disse...

Carai... desabafo profundo, hein?

Mas posso falar?
A vida não é tão merda assim... sei que os videocassetes nos faziam sentir assim, mas no fim, tudo é uma alegria,, você só precisa encontrar essa alegria...
Talvez não tenha sido num baile funk, mas quem sabe não é numa micareta do Chiclete ou num Show do Inimigos?

Segue em frente e respira fundo, sempre confiando em você, pq Aquele Cara lá de cima tem algo importante pra vc ainda, é só acreditar..!
Lembra sempre da musiquinha da Lua de Cristal, e tudo vai ficar bem! hehehe...

Saudade de suas cantorias aqui!
E, ah, agora temos acesso! =]

BeijO!